Respondendo ao investidor: O que são units e para que servem?

Print

Aproveitando a dúvida da investidora Cidinha Amorin, falo um pouco sobre as units.

Alguns investidores em ações podem ter se deparado com os códigos VVAR11, SANB11 e BIDI11, por exemplo, e ter se perguntando do que se tratavam ou ainda terem relacionado ao código de algum fundo de investimento imobiliário devido a semelhança. No entanto, as units são ativos compostos por mais de uma classe de valores mobiliários e foram criadas para facilitar a vida do investidor, no olhar de alguns, ou para complicar ainda mais, na visão de outros.

As units podem ser uma combinação de uma ação ordinária e um bônus de subscrição, de uma ação ordinária com duas preferenciais ou de duas classes de recibos de depósito, como os Brazilian Depositary Receipts (BDRs), por exemplo. E necessariamente são arranjos de classes de ativos da mesma empresa que por padrão recebem da B3 a numeração 11 ao final do código, semelhante às quotas de fundos de investimentos imobiliários.

Por ser uma composição, que consiste em diferentes classes de ativos num mesmo “pacote”, caso adquira você irá possuir os mesmos direitos como se adquirisse os ativos separadamente. Seu valor será, portanto, na teoria, sempre igual a soma dos valores de cada unidade das classes de ativos. Por exemplo: Se uma unit é composta por uma ação ordinária, que está sendo cotada a R$ 4,10, e duas preferenciais, cotadas a R$ 4,00 cada, o valor da unit será equivalentemente de R$ 12,10.

Mas para que servem?

As units são um instrumento criado para facilitar as operações de investidores que possuem diferentes objetivos ao realizar um investimento em uma empresa com ações negociadas em bolsa, como garantir o direito ao voto em assembleias e a preferência no recebimento de proventos, por exemplo, sem ter custos a mais com corretagens e outras taxas e realizar mais operações no mercado comprando e vendendo separadamente os papéis.

Hoje pode não parecer tão considerável a redução nos custos operacionais com a queda acentuada e a democratização dos valores das corretagens cobrados pelas corretoras brasileiras, mas nem sempre foi assim. Investidores nem tão mais antigos assim se lembram bem que realizar operações em bolsa de valores já foi algo muito mais caro e poderiam reduzir significativamente a parcela dos ganhos ou elevar os prejuízos. Então qualquer novidade que trouxesse um benefício nesse sentido era bem-vinda.

Apesar de não ter sido um dos propósitos, o lançamento das units também abriu novas oportunidades na bolsa na forma de arbitragens – quando os preços de dois ativos equivalentes estão sendo negociados a preços diferentes e compra-se onde está sendo negociado pelo menor preço ao mesmo tempo que vende-se onde o preço está maior. Isso acontece devido ao tempo de ajuste dos preços que nem sempre é imediato, mas pode apresentar atrasos ou defasagens.

Benéfico ou complicado o fato é que as units são uma realidade da bolsa brasileira e entendê-las pode ser também um bom negócio. No link abaixo é possível acessar quais units estão disponíveis para negociação diretamente no site da B3 com os respectivos códigos e composições.

Units listadas na B3 (clique aqui para ver)


Marcos Nonaka é graduado em Controladoria e Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG e investidor entusiasta desde 2002 no mercado financeiro.

www.twitter.com/marcosnonaka twitter logo 35x35

Clique aqui para participar dos grupos sobre finanças no WhatsApp whatsapp logo 40x40 e no Telegram telegram logo 35x35.

C&F logo chanfrado 35x35Saiba aqui em que acreditamos
Saiba mais sobre este site (Disclaimer)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.