O que são os contratos futuros negociados na bolsa?

Muitos, principalmente os iniciantes ou quem nunca investiu na bolsa, devem se questionar frequentemente sobre o que são os tais contratos futuros que se ouve falar de vez em quando no mercado financeiro ou perguntarem se seria possível prever o que irá acontecer na bolsa por meio desses contratos futuros.

E a resposta para a segunda pergunta é simples. Não, não é possível prever o que irá acontecer por meio dos contratos. Pois eles não representam uma realidade futura, mas sim uma expectativa. O negociante de contratos futuros monta uma operação esperando que possa vender ou comprar o ativo objeto, que pode ser uma moeda, uma commoditie ou um índice, por exemplo, por determinado valor numa data futura ou realizar a operação reversa no próprio contrato futuro antes do vencimento.

Veja o que diz a B3 sobre o contrato futuro de Ibovespa, por exemplo:

“O Contrato Futuro de Ibovespa possibilita que o mercado negocie as expectativas futuras do mercado de ações, sem a necessidade de realizar a compra de toda a cesta de ações que compõem o índice e ficar exposto à variação do indicador.”

E quais são as vantagens de negociar contratos futuros ao invés de simplesmente comprar o ativo objeto numa expectativa de alta ou vender numa expectativa de baixa?

A principal vantagem é o capital necessário para montar uma operação com contratos futuros, que são relativamente menores do que negociar diretamente o ativo objeto. Já que você só precisa depositar a margem e ao final da operação receber o lucro ou cobrir o prejuízo. Portanto, operações com contratos futuros são consideradas alavancadas, onde se assume um compromisso de potencial de ganho ou perda que pode ultrapassar o capital disponibilizado na operação.

Entenda um pouco, em um exemplo, o que são o ativo objeto, a margem de garantia, o ajuste diário e o contrato futuro.

Suponha que o índice Ibovespa esteja hoje cotado aos 100 mil pontos e você espera que ele vá para 90 mil no mês seguinte. O Ibovespa nesse caso é o ativo objeto. – Poderia ser o milho, o dólar ou o boi gordo, como outros exemplos – Nessa situação, você pode vender agora um contrato futuro desse índice em 100 mil pontos para tentar recomprá-lo quando o índice à vista estiver aos 90 mil no mês seguinte, que é a sua expectativa, ou receber/pagar o lucro/prejuízo da operação no vencimento do contrato.

Como mencionei, você pode ter que pagar o prejuízo caso o Ibovespa suba ao invés de seguir a sua expectativa, que era de baixa.

Para fazer essa operação, a bolsa irá te exigir um depósito de margem de garantia, que corresponde a um valor determinado por ela para tentar garantir que as obrigações de cubrimento de eventuais prejuízos e entrega dos lucros sejam cumpridas entre as partes da negociação. E, também, o ajuste diário de margem em operações com duração acima de um dia. Esse ajuste diário corresponde ao crédito ou débito de margem entre as partes de acordo com o valor calculado pela B3 ao final do dia de negociação.

O valor de margem, no entanto, pode ser bem inferior ao necessário para se fazer uma operação diretamente com o ativo objeto ou seu semelhante. – Não é possível realizar operações de compra e venda do próprio índice Ibovespa, utilizado no exemplo. Mas você pode negociar um Exchange Traded Fund (ETF) do índice – Por isso, pode ser bastante viável, e mais arriscado, optar por operar futuros do que o ETF do Ibovespa à vista.

Portanto, respondendo, enfim, a primeira pergunta desse artigo, um contrato futuro nada mais é do que um contrato mesmo, feito entre as partes por intermédio da bolsa e execução por alguma corretora, que permite comprar ou vender um determinado ativo objeto por um determinado preço no futuro. Por isso, também são utilizados em operações de hedge financeiro (proteção do preço de compra ou venda no futuro).

Para o texto não ficar muito extenso não irei explicar aqui como negociar os contratos futuros na bolsa. Deixo isso para um próximo artigo. E espero que você consiga, pelo menos, ter tido uma noção do que são esses contratos e de como eles são utilizados e negociados na prática. Se não estiver ainda muito claro, deixe a sua dúvida nos comentários abaixo que terei o prazer em responder.


Marcos Nonaka é graduado em Controladoria e Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, investidor entusiasta desde 2002 no mercado financeiro e autor de artigos de educação e conhecimento sobre finanças.

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