Investimentos em tempos de Selic em baixa. O que fazer?

Esse tema eu recebi do meu amigo e investidor Lucas Alvarenga e julgo que seja um bom momento para explicar um pouco sobre a dinâmica dos mercados financeiros quando há alterações nas taxas de juros básicas da economia, a meta Selic.

O fato é que as taxas fixadas pelo Banco Central (BC) não são taxas praticadas na realidade, se tratam de metas para as taxas de juros e que servem de parâmetro para as instituições financeiras negociarem empréstimos entre si e entre outros agentes do mercado financeiro.

Elas servem também para precificar alguns títulos públicos de emissão do governo e sua alta ou baixa altera os preços desses títulos, já que eles devem entregar sempre a rentabilidade atrelada aos juros básicos vigentes e não os passados ou futuros.

Mas a grande dinâmica que ocorre nos mercados está ligada em para onde vão os investidores quando a taxa Selic fica muito baixa, tornando os títulos de renda fixa menos atrativos.

Como é possível perceber, com uma taxa menor os investimentos atrelados a Selic renderão menos e poderão perder, inclusive, para investimentos atrelados a inflação, por exemplo, em alguns momentos, porque esses investimentos costumam pagar inflação mais uma taxa prefixada.

Então, além dos títulos atrelados à inflação, outra alternativa muito buscada pelos investidores em tempos de Selic em baixa são os investimentos em títulos prefixados e os de renda variável. Entre estes últimos estão as ações e os fundos de investimento imobiliário (FII).

Nos títulos prefixados é quase uma aposta. Pois, você deve entrar neles antes que o BC reduza a taxa Selic de fato. Após a decisão do Comitê de Políticas Monetárias (COPOM) ser tornada pública, os títulos prefixados também terão a sua rentabilidade reajustada para cima, para baixo ou se manterão. De acordo com a decisão do comitê.

Mas, voltando a renda variável, por que esses investimentos se tornam mais atrativos diante desse cenário de juros em baixa? Porque neles pode existir uma coisa chamada remuneração do investidor, que são os proventos ou dividendos, que são a parcela que o investidor recebe sobre a lucratividade da empresa ou do FII em determinado período.

Em tempos de Selic a 5% ao ano, por exemplo, nossa taxa atual, algumas ações ou FIIs podem apresentar um dividend yield (DY) superior a 5% ao ano. Nesse caso, isso quer dizer que o que se está sendo distribuído como lucro ao investidor representa mais que 5% anualmente do que ele pagou na ação ou na quota do FII.

E desconsiderando as variações de preços que ocorrem nas ações ou na quotas dos FIIs, eles estarão remunerando melhor o investidor do que investimentos atrelados a Selic ou ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que acompanha de perto a meta Selic.

Com isso, muitos investidores passam a olhar e a optar mais pelos investimentos em renda variável. O que, por consequência, leva a valorização desses títulos por aumento da demanda em relação a oferta.

Daí vem a máxima de mercado de que quando os juros se elevam as bolsas caem e quando os juros diminuem as bolsas sobem. Então é questão mesmo de ficar atento aos movimentos do mercado e da economia. Pois, qualquer sinalização do BC em relação às taxas de juros irá impactar nas bolsas de valores e nos preços dos títulos públicos.


Marcos Nonaka é graduado em Controladoria e Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), investidor entusiasta desde 2002 no mercado financeiro e autor de artigos de educação e de conhecimento sobre finanças.

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