Desculpe, CVM, o que dá dinheiro na renda variável é a tendência

Tendência de alta das ações de IRB Brasil (IRBR3) desde o seu lançamento na bolsa.

Alguns não entenderão o título desse artigo e porque cito a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Darei uma explicação simples. A CVM emitiu uma circular na semana passada proibindo frases de efeito em publicações relacionadas à bolsa de valores, entre outras regras. Mas meu intuito não é rebater a CVM, e sim falar de algo já dito por alguns profissionais desse mercado. O que nos dá retorno na renda variável é a tendência nos preços dos ativos.

Pode parecer óbvio, mas muitos não veem isso claramente e entram em operações enroladas, onde o ativo não anda, e não fazem o gerenciamento de risco necessário para o caso de uma queda ou ida do ativo na direção contrária.

Ok. Eu falei o que dá dinheiro. Então agora ficaremos todos ricos e milionários facilmente com a bolsa? Não. Essa é a parte ruim. Enxergar as tendências antes que elas aconteçam é tarefa extremamente árdua e chego a dizer que é algo realmente impossível de se fazer com total certeza e clareza. Quem ganhou muito dinheiro assim contou com um pouco de sorte. Mas, se você está nesse mercado e se expõe o tempo todo nas operações, fazendo análises e estudando os ativos, nem tudo pode ser mera sorte do destino, mas, sim, o resultado do seu trabalho.

Falarei um pouco sobre as tendências, para quem ainda não tem muito conhecimento das operações em renda variável.

Tendência é quando um ativo assume uma direção, de alta ou de baixa, por determinado período. O que varia, portanto, é a duração das tendências. Elas podem ser intradiárias, ter duração de alguns dias, semanas, meses e até por anos. Mas, por que essas tendências são tão importantes e dão dinheiro? A resposta a essas perguntas são, mais uma vez, óbvias, dão dinheiro porque os preços vão na direção em que “apostamos”. Portanto, é possível trabalhar para pegar essas tendências? Sim, é. Explico a seguir.

Hoje existem muitas formas de se analisar uma ação. Seja por análise gráfica ou fundamentalista. E entrar numa ação apenas por entrar ou para estar posicionado nem sempre é uma boa escolha, por mais que você precise estar posicionado para poder obter ganhos. Então, observar os sinais, sejam eles gráficos ou por fundamentos, para entrar na renda variável, podem te ajudar a reduzir as perdas por exposição.

Outro fator a se considerar é o uso de stop, uma ferramenta disponível para operações na renda variável que limita as perdas.

Por que o uso desse stop é importante? Para você não ficar preso no papel. Conheço pessoas que compraram ações da Petrobras, por exemplo, em 2008 e carregaram ou ainda carregam o ativo até hoje. Mas não por ter sido uma operação de longo prazo, mas porque entraram e a ação se desvalorizou ao invés de subir de preço. Pode parecer bobagem, porém, se essa pessoa tivesse colocado o dinheiro na renda fixa durante esse período, por exemplo, ele teria rendido mais de 100%.

Então, tentar pegar as tendências é algo que exige constantemente três coisas: estudo, exposição e assumpção de perdas. O estudo é acompanhar os ativos, entender o mercado e avaliar as perspectivas com base em gráficos ou fundamentos. Já a exposição é entrar de fato na operação, seja comprado ou vendido, de acordo com os sinais que você observar. A assumpção de perdas é entender que você entrou em um mercado de renda variável e que está susceptível a perdas que podem ser controladas.

Se você quer ter uma noção de como trabalhar as perdas, recomendo que leia esse outro artigo do nosso site: “O que significa ter consistência na renda variável?“. Porém, se você não tem tolerância nenhuma a perdas não deve nem tentar entender o que são as tendências nos preços e entrar na renda variável, mas deve buscar, sim, por outros tipos de investimentos mais seguros.


Marcos Nonaka é graduado em Controladoria e Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, investidor entusiasta desde 2002 no mercado financeiro e autor de artigos de educação e conhecimento sobre finanças.

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